*História 

A VARIG nasceu em 7 de maio de 1927, em Porto Alegre, fundada pelo imigrante alemãoOtto Ernst Meyer, em conjunto com diversas personalidades teuto-brasileiras do Rio Grande do Sul, como Alberto Bins, Artur Bromberg, Waldemar Bromberg, Emílio Gertum, Jorge Pfeiffer, Ernst Rotermund, Rudolph Ahrons. Era a companhia aérea mais antiga do Brasil, e uma das mais antigas do mundo.

Na década de 1960, assumiu a Real Aerovias e a Cruzeiro do Sul e também as aeronaves e as rotas da Panair do Brasil para a Europa, tomadas pelo governo militar, e passou a ser a maior companhia aérea do Brasil e da América Latina, sem concorrência nacional.

Na década de 1980, criou a Rio Sul e, na década de 1990, comprou a Nordeste e entrou para a Star Alliance. Esta época marcou também o início da crise financeira que culminou em sua venda para a Gol Transportes Aéreos, em março de 2007.

Sua primeira aeronave foi uma hidroavião Dornier Do J Wal, apelidado de Atlântico, de nove passageiros, considerado um dos mais modernos de sua época, que fez seu voo de estreia de Porto Alegre a Rio Grande, no mesmo estado.

No início, operava hidroaviões (além do Dornier Do J, contava com o Dornier Do-B Merkur) a partir da Ilha Grande dos Marinheiros, no Rio Guaíba, operando principalmente nas regiões sul e sudeste do Brasil.

Em 1932, comprou seu primeiro avião com trem de pouso, um Junkers A-50 Junior, e depois o Junkers F.13, iniciando suas operações em Porto Alegre, no terreno que daria origem ao Aeroporto Internacional Salgado Filho.

De Havilland Dragon Rapide da Varig, exposto no MUSAL.

Seu primeiro colaborador, Rubem Berta, tornou-se o presidente da empresa e, graças às suas ligações sombrias com elementos da ditadura militar, guiou a Varig para tempos de grande expansão, quando ela tomou o Consórcio Real-Aerovias e as linhas europeias daPanair do Brasil, então a maior companhia aérea do país, fechada por decreto fraudulento do governo militar, com ajuda da própria Varig. Ele permaneceu no cargo até seu falecimento, em 1966.

Sua primeira rota internacional foi para Montevidéu, iniciada em 5 de agosto de 1942. O primeiro voo regular para os Estados Unidos foi em 1955, tendo Nova Iorque como destino, nas asas do Super G Constellation, encomendado especialmente para esta rota.

Em 1959, o Constellation foi substituído pelo primeiro jato da frota, o Sud Aviation Caravelle. No ano seguinte, entrou em operação na VARIG o primeiro Boeing 707 (prefixo PP-VJA).

Em 1961, com a incorporação do Consórcio Real Aerovias, a VARIG ganhou novas rotas e novas aeronaves, como o Convair 990 Coronado. Em 1962, chegou o primeiro dos 14 Lockheed L-188 Electra, que se tornaram famosos na Ponte Aérea Rio-São Paulo.

O primeiro Lockheed L-188A Electra II operado pela VARIG, de prefixo PP-VJM, encontra-se hoje no Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro.

Os voos para a Europa começaram em fevereiro de 1965, quando o governo militar desativou a Panair do Brasil. Em 1968, a Varig inaugurou sua linha para o Japão. Em 1974, a VARIG recebeu o primeiro dos 12 Douglas DC-10-30 que operou (prefixo PP-VMA) e o primeiro Boeing 737-200.

Em junho de 1975, tomou o controle acionário da Cruzeiro do Sul, comprada oficialmente pela VASP, que foi completamente integrada à VARIG em janeiro de 1993. Na década de 1980 criou a Rio Sul.

O primeiro Boeing 747 foi incorporado à frota em fevereiro de 1981 (prefixo PP-VNA), na gestão do presidente Hélio Smidt. Nos anos 80 chegaram também os Boeing 747-300 (2 na versão Combi - PP-VNH e PP-VNI e 3 na versão full pax - PP-VOA, PP-VOB e PP-VOC). O primeiro Boeing 767, modelo -200 (prefixo PP-VNL), veio em 1986, inicialmente entregue à empresa aérea norueguesa Braathens (em 1987receberia os seus próprios 767 na versão -200ER e novos de fábrica). Em 1991, vieram os dois primeiros McDonnell Douglas MD-11 (PP-VOP e PP-VOQ), seguidos pelo primeiro Boeing 747-400 (prefixo PP-VPI), mas a empresa não conseguiu mantê-los por muito tempo, devido a seu alto custo financeiro. Os únicos aviões da fabricante europeia Airbus operados pela VARIG foram 2 Airbus A300B4-200 (PP-VND e PP-VNE), tendo a subsidiária Cruzeiro do Sul operado com outras duas aeronaves idênticas (PP-CLA e PP-CLB).

Na década de 1990, comprou a Nordeste Linhas Aéreas. Em 1996, mudou a identidade visual. Em 1997, a VARIG entrou para a Star Alliance, a maior aliança de empresas aéreas do mundo.

A década de 1990 marcou também o início da crise financeira que fez com que a empresa deixasse de voar para vários destinos no exterior e no Brasil e devolvesse mais de cinquenta aeronaves.

Nos anos 2000, criou a VARIG LOG, e recebeu, no final de 2001, o primeiro Boeing 777 (prefixo PP-VRA), batizado como Otto Meyer. Fundiu as operações com as suas subsidiárias Rio Sul e Nordeste. Vendeu a VARIG LOG e a VEM (VARIG Engenharia e Manutenção).

Em 2006, foi vendida para a VOLO e em 2007 para a Gol Transportes Aéreos. Atualmente, a Gol Transportes Aéreos está absorvendo gradativamente a marca VARIG, enquanto o restante da empresa, a Flex Linhas Aéreas, após resistir algum tempo em recuperação judicial, encontra-se parada por falta de crédito, assumindo assim uma posição de pré-falência. 


 

*Crise e recuperação

Por mais de quinze anos a empresa apresentou balanços financeiros negativos, além de ter mudado de comando mais de cinco vezes nos num período de seis anos. Com dívidas estimadas em mais de sete bilhões de reais, as dificuldades enfrentadas pela empresa foram, supostamente, reflexo do congelamento das tarifas aéreas nas décadas de 1980 e 1990, complementadas por uma administração muito ineficiente.

Em 2003, o Wikileaks (conjunto de documentos secretos do governo), indicava que ao invés de pagar as dívidas que o então governo Lula tinha com o Grupo Varig (cerca de 4,7 bilhões de reais), optou em promover uma fusão entre a Varig e a TAM, como se fosse parte de um projeto para reduzir os custos operacionais de um setor que ainda sofria as consequências dos ataques terroristas de 11 de setembro de2001, mas que não resultou êxito.

Em 22 de junho de 2005, a justiça brasileira deferiu o pedido de recuperação judicial protocolado em 17 de junho do mesmo ano pela Varig.

Com essa decisão, a empresa teve seus bens protegidos de ações judiciais por 180 dias, mas dispôs de um prazo de sessenta dias para apresentar um plano de viabilidade e de recuperação a seus credores. As dívidas da Varig, inscritas no balanço de 2004, chegavam a 5,7 bilhões de reais.

Em novembro de 2005 a TAP Portugal, em conjunção com investidores brasileiros, formalizam a compra das subsidiárias Varig Log e VEM, garantindo o pagamento de credores internacionais.

No mês seguinte, a Fundação Rubem Berta (FRB) fecha um acordo para transferir para a Docas Investimentos 67% das ações ordinárias da FRBPar, proprietária da Varig. A Justiça do Rio de Janeiro, no entanto, suspende a operação, justificando que a troca de controle teria de passar primeiro pela aprovação dos credores.

A FRB é afastada da gestão da Varig, enquanto os credores rejeitam a oferta da Docas Investimentos e aprovam um plano de reestruturação da companhia.

Por meio do plano de emergência - elaborado com a finalidade de sustentar o fluxo de caixa da empresa até meados de julho/agosto de2006 - a Varig tenta conseguir mais prazo com os credores para quitar suas dívidas.

Em abril de 2006 a Varig Log oferece 350 milhões de dólares pela empresa, mas a proposta é recusada pelos credores. Uma nova oferta de 400 milhões é feita mas, sem uma definição da empresa, retirada no mês seguinte.

No dia 9 de maio uma nova assembléia dos credores define os termos de leilão da Varig, que poderá ser vendida integralmente (a Varig Operações, que cuida dos vôos nacionais e internacionais) ou separada (a Varig Regional, que cuida das operações domésticas). Os preços mínimos são, respectivamente, US$ 860 milhões e US$ 700 milhões.

Após outra proposta de compra feita pela Varig Log, uma nova assembléia foi realizada em 17 de junho de 2006. Os credores da classe 1 da empresa, formada pelos trabalhadores, aprovaram a oferta. Mas os da classe 2, que conjuga fundos de pensão e o Banco do Brasil, e da classe 3, reunindo empresas públicas e de leasing, rejeitaram a proposta.

Foram mais de 20 votos contrários só na classe 3, a maior parte deles advindos de empresas estrangeiras. Este resultado inviabilizou a realização de um novo leilão da Varig, e como consequência a justiça pode vir a decretar a falência da empresa. 

*A venda

Em 20 de julho de 2006, a empresa foi vendida por 24 milhões de dólares, em leilão, para a VarigLog, que assumiu 245 milhões de reais em bilhetes emitidos e o passivo (milhas acumuladas) de 70 milhões de reais do Smiles.

A VarigLog se comprometeu a emitir debêntures (títulos de dívida) de 100 milhões de reais, que poderiam ser convertidas em 10% de participação na nova empresa para funcionários e credores com garantias, como o Instituto Aerus de Seguridade Social, fundo de pensão dos empregados da empresa. A VarigLog foi a única empresa a participar do leilão. Segundo analistas, o risco de sucessão de dívidas foi o principal fator que afastou o interesse de outras empresas nos leilões da Varig. Um dos deveres do novo dono seria garantir um fluxo de caixa anual de 19,6 milhões de reais usado para pagar os credores da "velha Varig" nos próximos 20 anos.

Em 28 de julho de 2006, começaram as demissões na empresa, totalizando somente neste dia mais de 5000 postos de trabalho cortados, sem o pagamento das verbas rescisórias, que estavam arroladas no plano de recuperação judicial, bem como os 4 meses de salários atrasados e dívidas diversas com os mesmos.

Em 28 de novembro de 2006, a Varig anunciou que ia operar mais sete rotas entre 18 de dezembro e 4 de março. Desta forma, a empresa passou a voar para 12 destinos nacionais e quatro internacionais: Belo Horizonte, Florianópolis, Porto Seguro, Rio de Janeiro, São Paulo,Brasília, Salvador, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Manaus (nacionais), e Caracas, Bogotá, Buenos Aires e Frankfurt(internacionais).

Em 14 de dezembro de 2006, a Varig recebeu o Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta) da Anac e as demais concessões para funcionamento, iniciando, em definitivo, a nova Varig.

 

*Compra pela Gol Transportes Aéreos

Em 9 de abril de 2007 a VRG Linhas Aéreas S/A foi comprada pela Gol Transportes Aéreos, por meio de uma subsidiária desta, a GTI S.A. A compra foi feita dessa forma para evitar a transferência das dívidas da Varig para a Gol.

Mesmo considerando que a Varig, nos últimos 20 anos, não tenha sido mais mencionada entre as 30 melhores companhias aéreas internacionais nas revistas e nas pesquisas especializadas, ainda continuava sendo uma marca conhecida no mundo, fato este que influenciou a compra da empresa.

 

*Fim da recuperação judicial

Em setembro de 2009, o juiz Luiz Roberto Ayoub, titular da 1ª Vara Empresarial do Rio, decretou o fim da recuperação judicial da Varig antiga, que estava operando com a bandeira Flex. De acordo com ele, as obrigações do plano de reestruturação foram cumpridos no prazo de dois anos.

A partir da publicação dessa sentença, o que ocorreu no dia 1º, Ayoub informa que a Flex tinha um prazo de 10 dias para a transição da gestão da companhia, que voltou para a Fundação Rubem Berta, acionista majoritária da Flex, com 87% do capital. A fundação havia sido afastada da gestão da Flex por Ayoub em dezembro de 2005.

A Flex em sua curta existência operou com apenas um Boeing 737-300. Neste período realizou apenas alguns voos para a Gol/Varig, por meio de acordo. O último voo ocorreu em novembro de 2009, simbolizando assim o fim da empresa.

 

*A falência

No dia 20 de agosto de 2010, a Justiça do Rio de Janeiro decretou falência da antiga Varig, além de mais duas empresas do grupo, a Rio Sul Linhas Aéreas e a Nordeste Linhas Aéreas. O comunicado oficial foi feito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Segundo o Tribunal, o pedido foi feito pelo próprio administrador e gestor judicial do grupo, Licks Contadores Associados, que alegou que a Viação Aérea Rio-Grandensa não tinha condições de pagar suas dívidas.

A antiga Varig faliu sem ver o fim da ação que cobrava da União cerca de R$ 4 bilhões por perdas com o congelamento de tarifas nas décadas de 1980 e 1990. Após o ano de 2003 até o último dia de existência da Varig, o Governo Lula devia à Varig cerca de R$ 4,7 bilhões que se fossem pagos provavelmente a Varig não teria falido. A empresa ganhou a questão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a disputa judicial seguiu para o Supremo Tribunal Federal, onde ainda não foi julgada.

Esse atraso no julgamento deve-se fundamentalmente à influência de Luiz Inacio Lula da Silva. O então presidente Lula tinha interesse pessoal na promoção da TAM Linhas Aéreas, cuja família de José Dirceu, seu grande companheiro de todas as horas, figura entre os maiores acionistas. José Dirceu foi declarado "Chefe da Quadrilha" pelo então Procurador Geral da República ao denominar o PT como "Perigosa Organização Criminosa".